António Ole

Retrato Falado, 2007, de António Ole
Retrato Falado é um work in progress constituído pelos três primeiros retratos de uma série que será alargada a 12 retratos, os quais definirão então uma nova instalação, mais obsessiva como pesquisa formal, mais enigmática como construção dramática. É como se, da acumulação de personagens e adereços, se vá definindo um mapa/registo de uma ficção em andamento e uma vontade inconfessada de narrar.
O ritmo do Ngola Ritmos, 1978, de António Ole
Angola, 60′. Produção: TPA.
O filme é uma homenagem ao conjunto musical Ngola Ritmos. Longa-metragem documental, sobre a memória de um tempo, mais precisamente o início da luta de libertação em finais da década de 50, e o papel desempenhado pelos elementos do Ngola Ritmos na luta clandestina, no despertar da consciência e na delineação de uma nova música, que buscou alimento na cultura popular urbana.
ANTÓNIO OLE nasceu em Luanda (Angola) em 1951. É nessa cidade que continua a viver e a trabalhar, inspirando-se no passado e presente do seu país. Formou-se no American Film Institute de Los Angeles (EUA) e estudou cultura afro-americana e cinema na Universidade da Califórnia (UCLA).
Pintor, cineasta e fotógrafo, Ole é autor de uma obra que reflecte as múltiplas facetas do seu universo criativo, abordando as temáticas da colonização, da guerra civil, da fome, dos conflitos sociais e, em especial, a capacidade de resistir e sobreviver. Ao longo do seu percurso artístico tem desenvolvido projectos de um certo ecletismo formal e estético, sendo autor de uma produção muito diversificada (desenho, pintura, escultura, instalação, fotografia, vídeo e cinema). Dirigiu vários documentários e vídeos sobre a vida e história de Angola, tais como: Os Ferroviários (1975), O ritmo dos Ngola Ritmos (1978), Sonangol: 10 Anos Mais Forte (1987), entre outros.
Realizou a sua primeira exposição em 1967 e desde a sua estreia internacional no Museum of African-American Art (Los Angeles) em 1984, os seus trabalhos têm sido apresentados em várias exposições, festivais e bienais, como em Havana (1986, 1988, 1997), São Paulo (1987), Berlim (1997), Joanesburgo (1995, 1997), Dakar (1998) e Veneza (2003, 2007). São de referir, em especial, as participações nas prestigiadas mostras itinerantes: Africa Remix, Contemporary Art of a Continent (Museum Kunst Palast, Dusseldorf; Hayward Gallery, Londres; Centre Georges Pompidou, Paris; Mori Art Museum, Tóquio; Moderna Museet, Estocolmo; Johannesburg Art Gallery, Joanesburgo) e The Short Century (Martin Groupius Bau, Berlim; Museum of Contemporary Art, Chicago; PS-1/MOMA, Nova Iorque). Das suas individuais mais recentes destacam-se: Hidden Pages, Stolen Bodies, Veemvloer, Amesterdão (2001), Olhar em Viagem, Alliance Française, Salvador (2003), António Ole: Marcas de um Percurso (1970-2004), Culturgest, Lisboa (2004) e António Ole, Galeria 111, Lisboa (2007).