Cláudia Cristóvão

Fata Morgana (My Africa), 2006, de Cláudia Cristóvão
No seu último trabalho – Fata Morgana – foi pedido a várias pessoas que nasceram em África, mas que de lá saíram em crianças, que descrevessem as suas memórias e projecções. Destas histórias surge um país imaginário, não um qualquer país “real”, mas uma “África global”, tão real na mente de cada pessoa, mas impossível de encontrar em qualquer mapa-mundo. Fata Morgana significa “miragem” e é também o título e o conteúdo do primeiro vídeo da instalação. Mas miragens são precisamente as imagens que nós vemos “porque ardentemente desejamos vê-las”. Além disso, quanto mais nos aproximamos de uma miragem, mais depressa ela desaparece…
Rodeando pequenos e íntimos ecrãs que contam histórias individuais, uma imagem em grande projecção atrai o olhar do espectador: imagens de uma cidade colonial fantasma do princípio do século XX, que lentamente vai sendo engolida pelo deserto. Este espaço interior é ao mesmo tempo o cenário e a projecção de todas as memórias descritas. De novo, a ficção e a realidade são indistintas e entrelaçam-se. Uma alimentando e criando a outra. Como metáforas de tempo e de mudança irrevogável, e como a areia movediça de que é feita a memória, estas imagens são projecções da multiplicidade de vidas e histórias que provavelmente aconteceram, e adquirem diferentes significados de acordo com o discurso de cada personagem.
CLÁUDIA CRISTÓVÃO nasceu em Luanda, tem nacionalidade portuguesa e vive de momento entre Amesterdão e Londres. Estudou Comunicação (área de Cinema) na Universidade Nova de Lisboa, acabando a licenciatura na Universidade de Roskilde (Dinamarca). Em 2000 iniciou a licenciatura em Belas Artes na Academia Gerrit Rietveld em Amesterdão, e está neste momento a finalizar um mestrado no Byam Shaw - Central Saint Martins em Londres. O seu trabalho explora as intersecções entre ficção e realidade, bem como os limites da actuação no espaço público, utilizando como pretexto questões de identidade, geografia e pertença. Utiliza regularmente vídeo e fotografia em instalações de larga escala, embora tenha também explorado outros media. Publicou recentemente o projecto “Stab a Stick into One’s Heart” na revista Egoísta. Para além de várias exposições de grupo, participou nas Bienais de Dakar e São Paulo em 2006, e é representada pela Galeria Lumen Travo em Amesterdão.