Eduardo Padilha

Padrões, tapetes e estruturas domésticas, 2008, de Eduardo Padilha
Padrões, tapetes e estruturas domésticas é uma intervinstalação criada em resposta ao espaço do Centro Cultural de Lagos, uma palavra inventada para sugerir a justaposição única de intervenção e instalação no espaço expositivo alargado das salas e corredores do edifício. Em termos materiais, o trabalho baseia-se numa trilogia de referências a economias alternativas e domésticas. Assim, os padrões – utilizados como estruturas rítmicas repetitivas multicoloridas – resultam da pesquisa de iconografia “ornamental-funcional” local e podem ser entendidos tanto como action-painting (pintura-acção) ou como grafitti enlaçando referências à história da arte e à pintura de rua. Os tapetes e estruturas domésticas consistem em objectos encontrados na rua ou comprados nos mercados de descontos, as chamadas one pound shops, sintetizando referências a espacialidades íntimas e a economias alternativas que subsistem nos espaços intersticiais das operações monetárias internacionais. A utilização de pintura metálica nas superfícies dos objectos é uma operação de camuflagem que os investe com uma nova identidade económica, enquanto obras posicionadas no mercado de arte contemporânea.
EDUARDO PADILHA nasceu em Sant’Ana do Livramento (Rio Grande do Sul, Brasil), em 1964, e vive e trabalha em Londres e Amesterdão. Obteve o mestrado no Chelsea College of Art & Design (Londres, 1997) depois de estudar no Carnegie Mellon University (Pittsburgh, 1993) num programa de intercâmbio através da Gerriet Rietveld Academie, onde obteve o bacharelato de arte (Amesterdão, 1995). Mostrou o seu trabalho na galeria Traders Pop (Maastrich, Holanda), nas exposições individuais Viva lost Vagueness! (2004) e Strange Man for Strange Times (2002). No Institute of International Visual Arts (inIVA) desenvolveu um projecto-residência de três meses que culminou num Open Studio (Londres, 2000). Das suas mostras colectivas, destaca-se o projecto Full Circle, uma colaboração com Michael Schwab que conta com o apoio do Arts Council da Inglaterra consistindo em duas exposições, no Huisrecht Project Space (Amesterdão, 2007) e no Studio 1.1 (Londres, 2008). Um workshop realizado na galeria Gasworks (Londres) finaliza o projecto com uma publicação e website. One thing against another será uma intervenção no espaço público da cidade de Portsmouth, no Reino Unido, em 2008. A coordenação e curadoria estão a cargo de Oliver Sunmer da Aspex Gallery. O artista mantém um projecto curatorial na sua residência londrina chamado BalinHouseProjects, que tem o apoio do bairro de Southwark para um programa de exposições e intercâmbio de artistas.