Francisco Vidal

Again, again and again! 500 outras coisas, 2008, de Francisco Vidal
Este trabalho é sobre a história da pintura, mas também sobre outro gap histórico de 500 anos, 500 folhas, de como estamos sempre a imprimir o mesmo… É também o registo de uma performance que usa uma resma de folhas A3 como suporte onde, através do processo serigráfico, a palavra “again” é impressa repetidamente. Uma resma tem 500 folhas, e assim toda a acção pode estar relacionada com os mais de 500 anos dos “descobrimentos portugueses”, ou então com mais outras 500 coisas. A acção foi registada em vídeo e é acompanhada por um desenho mural e um registo sonoro que tem o sampling e a repetição como técnica de composição. Ligo assim, desta maneira, a forma de expressão do pintor (que é a que mais me influencia) e a possibilidade do DJ de juntar e “mixar” ideias, lançando e misturando questões… A instalação que deu origem a este trabalho foi desenvolvida em residência artística na Galeria ZDB.
FRANCISCO VIDAL nasceu em Lisboa (Portugal) em 1978. Actualmente vive e trabalha em Lisboa e Berlim. Depois da formação em escultura na ESAD das Caldas da Rainha, e de ter frequentado a escola de artes visuais Maumaus, em Lisboa, começou a produzir desenhos e pinturas que têm como motivo e motor o estudo, de um ponto de vista pessoal, do que é universal e do que é singular. Os objectos que cria têm diferentes escalas, desde o registo intimista de diário gráfico e de viagem, até aos grandes desenhos murais e pinturas de grandes dimensões. O artista pertence à primeira geração nascida após a revolução portuguesa. Os seus pais são provenientes de dois países diferentes das ex-colónias (Cabo Verde e Angola) e por esse motivo, entre outros, o estudo da “identidade” – pessoal e colectiva – e a noção de “fronteira”, tal como a de “escala”, estão sempre presentes na sua produção artística. Tem participado em exposições colectivas, de que é exemplo a mostra itinerante Troca de Olhares, apresentada nos Centros Culturais do Instituto Camões em Luanda, Maputo e Praia (2007). Destacam-se ainda as individuais realizadas na Galeria 111 de Lisboa – Subbus (2006) – e do Porto – Ecotone (2007). Está representado no projecto Artafrica da Fundação Calouste Gulbenkian/Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa.