teoria

Espaços, visibilidades e fluxos transculturais: Estratégias diaspóricas nos Mundos Locais.
paula roush

O projecto Mundos Locais reúne uma série de obras internacionais contemporâneas em novos media e de performance que exploram a relação entre o local e o global. Os trabalhos apresentados questionam como é que as experiências de viagem, diáspora e deslocação podem influenciar a forma como percepcionamos a identidade, a cultura e a nação. O título Mundos Locais refere-se ao modo como o mundo faz parte do imaginário local de Lagos e também à forma como o local reflecte a relação que os artistas estabelecem com o mundo em que vivem. Como abordar o ‘local’ é actualmente – e em sentido literal - um locus de intenso debate numa série de disciplinas e áreas da produção cultural. Embora não haja um consenso, reconhece-se, porém, que a migração e a viagem vieram pôr em questão qualquer noção fixa do local que pudesse existir e, por isso, é necessário abordar este tema a partir de uma perspectiva de pontos de vista múltiplos de forma a compreendermos as suas complexas representações.

Os mundos nas culturais locais
Um bom lugar para começar é a cidade de Lagos, onde as imagens do mundo, essencialmente referências às viagens pelo mundo e às relações com as antigas colónias portuguesas, surgem como um forte elemento da cultura urbana. Isto inclui o recente título de ‘Lagos dos Descobrimentos’ [1] e o património da cidade que lhe está associado: monumentos e obras de arte pública, contando-se entre eles, como seus exemplos mais visíveis, as estátuas de dois navegadores [2] que se estabeleceram em Lagos, iniciando, no séc. XV, as expedições de caravelas que daqui partiram para África. O Infante D. Henrique, o Navegador [3] patrocinou as primeiras expedições a Marrocos e à costa ocidental africana e Gil Eanes, partindo de Lagos, foi o primeiro navegador a passar para além do Cabo Bojador, em 1434, assinalando assim o início das explorações portuguesas em África [4]. No centro da cidade encontra-se também o local do primeiro mercado europeu de escravos [5] - sabe-se que o porto de Lagos foi, no séc. XV, a primeira porta de entrada dos escravos africanos na Europa e foi nesta cidade que existiu o primeiro mercado de escravos - o edifício que ocupa hoje esse local tendo sido convertido num espaço de exposições.

O ‘mundo’ na cultura popular de Lagos possui coordenadas espacio-temporais próximas das que Peter Sloterdijk descreveu, na sua obra filosófica de 2005, como constituindo a segunda fase da globalização terrestre: “A globalização terrestre (realizada praticamente pelas descobertas marítimas cristo-capitalistas e implantada politicamente pelo colonialismo dos Estados-nação da velha Europa) constrói…a parte central perfeitamente transparente de um processo em três fases…que durou quinhentos anos, entrou nos livros de história como ‘a época da expansão europeia’. [6] À maior parte dos historiadores é fácil encarar o período entre 1492 e 1945 como um complexo de acontecimentos encerrado - trata-se da época em que o actual sistema mundial ganhou o seus contornos.” Ao escolher o ano de 1492, o autor remete para o fim da Reconquista [7] e para o financiamento da primeira viagem de Cristóvão Colombo [8], mas se quisermos reconhecer o envolvimento local, porque não destacar a data de 1415 [9], o ano em que a frota portuguesa partiu de Lagos para ocupar Ceuta, desenhando-se, assim, o primeiro passo da expansão colonial europeia.

Este fascínio pelo ‘esplendor perdido do império,’ mais do que um simples interesse local, é na realidade um elemento forte da cultura e identidade nacional portuguesa, e está presente numa grande variedade de discursos e práticas quotidianas como notou João Leal no seu estudo de 2006 sobre ‘o império escondido’, onde o autor o descreve como uma “nostalgia do Império…” “que parece assentar numa espécie de hipermnésia (Roth) quanto à época dos descobrimentos… Apesar da revolução de 1974 e do aparecimento de novos Estados independentes nas ex-colónias portuguesas terem posto fim aos sonhos imperiais portugueses.” [10] No caso de Lagos, isto é visível na ‘campanha de marketing territorial’ [11] empreendida pela cidade, manifestação de um fetiche do local bastante actual e que é praticado em muitos outros locais, uma situação que deve ser analisada pela sociologia crítica da globalização cultural. Em Modernity at Large, Arjun Appadurai (2006) [12] caracteriza a cultura do local como uma relação complexa entre a produção e o consumo, da qual somos alienados através de um fetichismo dual envolvendo esses dois pólos. Por um lado, através da criação do espectáculo do local (a cidade evento) e, por outro, pela utilização dos media e da publicidade que desempenham um papel crucial no desenvolvimento de campanhas para atrair o consumidor para o local, oferecendo (no sentido Baudrillardiano) um simulacro do lugar e da experiência.

Assim, podemos destacar a forma como a localidade está a ser prolificamente produzida em Lagos através do imaginário da expansão colonial mundial. [13] O uso da reconstituição histórica é um dos aspectos envolvidos nesta produção do espectáculo do local. De dois em dois anos, a estrutura urbana - que constitui já por si só uma forte estetização do imaginário colonial - é animada pelo ‘Festival dos Descobrimentos’ e pelo ‘Mercado Medieval’, sendo cada edição marcada pela reconstituição histórica de episódios da expansão imperial. Em 2008, por exemplo, o destaque foi para a “a recriação histórica da chegada de Gil Eanes ao Cabo Bojador e de Vasco da Gama à Índia,” envolvendo pela primeira vez, para além dos grupos de voluntários e de reconstituição histórica, a participação de todas as crianças das escolas de Lagos. [14] Um dos grupos de reconstituição histórica descreve assim a sua participação no ‘Festival dos Descobrimentos’: “Mostrar o que se fazia, o que se pensava, e como se vestiam, alimentavam e divertiam os nossos antepassados nos séculos XV e XVI, em pleno período áureo dos Descobrimentos.” [15] Sendo a sua principal preocupação recrear de forma tão fiel quanto possível determinados episódios da expansão colonial.

No seu estudo de 2006 sobre as estratégias artísticas de reconstituição, a curadora Inke Arns parte de definições semelhantes de recriação histórica (e de práticas como a história ao vivo e acção ao vivo de representação de papéis) para destacar o que têm em comum: “Permitem aceder à história ou a histórias, através de uma experiência de imersão, encarnação e empatia que não é possível obter com a leitura dos livros de história” [16], mas separa o uso que fazem da memória histórica do uso desta última na arte contemporânea em novos media. A autora diz-nos que os festivais históricos “são uma forma de nos imaginarmos projectados num outro tempo e não têm nada (ou têm pouco) a ver como o presente, assim como a representação de um papel completamente diferente não tem nada (ou tem pouco) a ver com a nossa própria realidade.” [17] Por outro lado, nas estratégias artísticas, “a referência ao passado não constitui uma utilização da história pela história: está relacionada com a relevância do que aconteceu no passado para o aqui e agora.” [18] É este processo que vamos agora deslindar.

Estratégias diaspóricas e mundos com pontos de vista múltiplos
Viajem, travessias e a relação com as antigas colónias são também um tema dominante em Mundos Locais, onde surgem como inspiração para uma série de obras intertextuais que utilizam o meio fotográfico em formatos híbridos de performance, instalação, desenho e animação. Veja-se dois exemplos: Francisco Vidal, artista de ascendência africana que nasceu em Lisboa e vive em Berlim, apresenta em Again, again and again! 500 outras coisas (2007-2008), uma instalação de grandes dimensões exposta na parede, composta por serigrafias, em que o artista questiona o império português jogando com uma repetição em série de rostos e padrões, enquanto um registo videográfico que documenta a performance da criação das serigrafias que é repetido 500 vezes – o mesmo número de anos da história da colonização – ecoando a controversa questão: quanto da história imperial não é senão uma repetição de clichés? A seguir, Mónica de Miranda, que vive em Londres e Lisboa, criou Back Pack Paradise (2007-2008), um tríptico fotográfico que documenta a inscrição performativa de mapas e de paisagens exóticas no corpo da própria artista, tratando-se dos mesmos mapas que representam a expansão imperialista e o actual movimento transnacional de pessoas e dos media. Ao recusar o processo de identificação, virando-se de costas para a câmara, a autora questiona o processo formal de admissão num país, que passa pelo reconhecimento facial biométrico. Com uma identidade sem rosto, enquanto artista e como migrante, levanta-se uma questão: será que a deixarão entrar?

Ambos os trabalhos representam um envolvimento com o local e o global a partir de uma perspectiva multicentrada que, arriscamo-nos a sugerir, é uma característica das obras de arte contemporânea em novos media e de performance apresentadas em Mundos Locais. O processo de migração é determinante para esta sensibilidade artística, mas ainda não foi completamente aprofundado na teoria crítica, como realça Kobena Mercer em Exiles, Diasporas and Strangers (2008): “A migração provoca um fluxo de objectos, identidades e ideias. Tem sido um dos elementos que caracterizam a modernidade, mas o seu papel como um factor significativo em inúmeras formações artísticas do séc. XX é ainda apenas vagamente compreendido.” [19]

O trabalho de Hamid Naficy de 2001, Accented Cinema, é um dos estudos que mostram que os diferentes tipos de migrações são essenciais para o aparecimento do trabalho visual (cinema, vídeo e também projectos performativos que combinam diferentes media) de exílio, diaspórico, étnico e pós-colonial. O autor sugere que a “Diáspora, assim como o exílio, começa geralmente por um processo traumático de ruptura e coerção e envolve a dispersão das populações para locais fora da sua terra natal. Por vezes, porém, a dispersão resulta de uma procura de mais oportunidades comerciais, de trabalho ou de objectivos coloniais e imperiais. Consequentemente… podemos ter: diásporas de vítimas/refugiados… diásporas laborais/de serviços… diásporas comerciais/empresariais… diásporas imperiais/coloniais … e diásporas culturais híbridas…” [20] Um dos aspectos dominantes da produção diaspórica em vídeo e filme é o seu carácter intersticial, que resulta do tipo particular de viagem que os seus autores tiveram de fazer: “Atravessam muitas fronteiras e passam por muitas viagens de desterritorialização e de reterritorialização, que tomam várias formas, incluindo viagens à procura de um lar, viagens de desalojamento e viagens de regresso ao lar. Estas viagens, contudo, não são apenas físicas e territoriais, mas são também profundamente psicológicas e filosóficas. Entre as mais importantes, encontram-se as viagens de identidade, durante as quais por vezes se perdem antigas identidades e reconstroem-se outras novas… A identidade não é uma essência fixa, mas um processo de formação em curso, ou mesmo uma performance da identidade.” [21]

No campo das artes visuais, Sieglinde Lemke, no seu estudo de 2008 sobre a estética diaspórica, sugere que esta “Geralmente representa o acto de atravessar, o processo de migração e o que significa viver num estado de exílio. De uma maneira ou outra, a estética diaspórica preocupa-se com a dialéctica do ‘lar’ e da ‘terra de acolhimento’.” [22] Partindo dos conceitos propostos por James Clifford, segundo os quais as raízes/rotas são formas de consciência comunitária, das noções de Homi Bhabha e Stuart Hall sobre a hibridez cultural e da ideia de Nicholas Mirzoeff de que o olhar diaspórico consiste numa perspectiva de pontos de vista múltiplos, podemos considerar, juntamente com Lemke, que um ponto de vista múltiplo é um elemento típico da arte diaspórica. O facto de a condição diaspórica produzir perspectivas de pontos de vista múltiplos encontra-se expresso nessa mesma arte sob a forma de situações que envolvem perspectivas múltiplas. As obras diaspóricas, porém, não se limitam a representar perspectivas mutáveis acerca do lar, do exílio ou da separação. Outra característica importante é o efeito na recepção da obra pelo espectador e na sua participação no trabalho do artista, uma vez que este convoca o olhar diaspórico: “o modo de recepção associado à obra leva o espectador a confrontar-se com a multiplicidade e a heterogeneidade, impelindo o olhar diaspórico a vaguear por diferentes lugares visuais.”.Em resumo, a “Gesamtkunstwerk (obra de arte total) diaspórica encoraja uma perspectiva de pontos de vista múltiplos porque faz com que o nosso olhar parta em viagem.” [23]

As políticas do olhar diaspórico trazem-nos de volta à área dos estudos pós-coloniais portugueses, onde uma semelhante mudança de perspectiva é identificada como uma forma de reler o passado a partir do presente. No projecto de 2005, Deslocalizar a Europa, Manuela Ribeiro Sanches [24] identifica um movimento de ‘deslocalização contextualizada’ nas práticas da arte contemporânea, reunindo abordagens etnográficas site-specific (intervenções concebidas para um lugar específico), que partem do local para questionar os conceitos autoritários de ‘cultura’ e ‘o outro’. “A abordagem pós-colonial questiona as certezas epistemológicas e as metodologias disciplinares, a linearidade de um tempo histórico centrado no ‘Ocidente’, ao mesmo tempo que se apropria criativamente da sua teoria a fim de recuperar outras subjectividades e narrativas silenciadas pelo eurocentrismo, assinalando o papel central da violência colonial na constituição das totalidades que o pós-modernismo viria a questionar e a pós-colonialidade a interpretar de um modo alternativo.” [25]

Este tem sido o mais recente trabalho dos produtores culturais na sua tentativa de fomentar um debate sobre tais questões. Nirun Ratnam ao estudar o tema da arte e da globalização [26], localiza a emergência deste interesse na Documenta 11 de Kassel e no seu enfoque curatorial na metáfora espacial de ‘proximidade’ que caracteriza o pós-colonial, como nos diz Okwui Enwezor no catálogo de 2002: “É um mundo de proximidade e não o outro lugar. Nem é sequer um estado vulgar de contestações infindáveis e instabilidade social, caos e insustentabilidade, mas sim o próprio espaço para onde convergem as tensões que regem todas as relações éticas entre cidadãos e súbditos.” [27] De modo semelhante, Fernandes Dias [28], ao fazer o balanço da curadoria portuguesa pós-colonial, refere o papel influente de uma tríade de exposições que ocorreram em Lisboa (Uma Casa do Mundo, Imagens de Troca e Projectroom, para além da exposição Looking Both Ways que envolveu as cidade de Nova Iorque e Lisboa) na conceptualização do pós-colonial nas práticas artísticas contemporâneas. Urge, porém, alargar este debate, trazendo-o dos centros e quase- centros do mundo da arte (Kassel, Lisboa) para Lagos, uma cidade muito mais periférica.
Para exemplificar melhor como é que estas ideias são exploradas no programa de Mundos Locais, apresentamos uma selecção de projectos paradigmáticos seguindo as questões dos espaços, visibilidades e fluxos transculturais, o subtítulo do projecto que remete para uma tipologia possível, ainda que não exaustiva, das estratégias diaspóricas. Enquanto espaço significa a terra, a paisagem ou o terreno geográfico, é a nossa vivência emocional da terra, do lar, do local que o transforma num lugar. Na senda da tríade lefebvriana da produção de espaço social [29] – espaço vivido (espaço representacional), espaço percepcionado (prática espacial), espaço concebido (representações do espaço) - visibilidades remete para o investimento - afectivo, social, financeiro - que está constantemente a moldar os espaços que habitamos e que juntamente com a deslocação e os conflitos de identidade se tornam no núcleo das políticas diaspóricas. Fluxos transculturais (esta última palavra que deriva da ideia de transculturalismo ou de convergência cultural avançada por Ortiz [30]) remete para a proposta de Arjun Appadurai [31] da multiplicidade de scapes - financeiras, ideológicas, mediáticas, étnicas - que caracterizam a globalização, mas cujas disjunções subjazem ao carácter paradoxal dos fluxos transculturais.

Espaços: história e allmnesia
As distinções entre espaço e lugar, baseadas na ligação relacional aos espaços da vida quotidiana, permitem-nos entrar na esfera do sentir do espaço. Allmnesia (2008), a instalação-concerto site-specific dos artistas Tiago Cutileiro e Jorge Pereira, que vivem em Lagos, é feita de imagens e sons recolhidos exclusivamente nesta cidade. Projectada durante uma hora para o pátio do Centro Cultural de Lagos, a performance imita a disrupção da memória associada às rápidas mutações espaciais que ocorrem como resultado de um crescimento económico acelerado dominado pela construção imobiliária para fins turísticos.

Ao intitular-se Allmnesia, a peça é também um comentário aos processos semióticos de significação associados à produção e à comodificação de espaço. Lagos é uma das dezasseis cidades da província do Algarve, a região mais a sul de Portugal continental. Até meados do séc. XII, durante a ocupação moura da Península Ibérica, a região chamava-se “Al-Garb Al-Andalus” [32], sendo rebaptizada de Algarve, após a conquista portuguesa e, mais recentemente, reinventada como Allgarve [33], como parte de uma campanha para promover o Algarve junto de um público anglófono e no âmbito da qual foi produzida a exposição Mundos Locais. Estaremos a caminhar para um novo momento de apagamento, em que a história local é rescrita para passar a significar uma nova mercadoria para consumo global? Seguindo o ballet mecânico das gruas a dançar ao ritmo de uma gravação de sons do mar, podemos ver a outra faceta do Allgarve, uma faceta má, disfuncional, psicopática. Ao questionar a imagem cristalizada de um Algarve perfeito como um postal ilustrado ou uma fachada de espelhos, surge uma interrogação: será que tudo isto acabará numa outra a(ll)mnésia? Ou será que isto vai contribuir para a amnésia total (allmnesia), em que se tornou a história dos ‘descobrimentos’? Neste contexto, esta pode ser uma contribuição positiva para uma reflexão sobre o espaço. Como notou Miwon Kwon no seu estudo de 2006 sobre arte site-specific: “Um encontro com um lugar “mau” irá provavelmente revelar a instabilidade do lugar “bom” e, por extensão, a instabilidade do eu.” [34]

visibilidades: utopias e canibalismos
Cláudia Cristóvão, uma artista portuguesa nascida em Luanda, cujo trabalho olha para a condição das pessoas que vivem entre um lugar e outro, encontra-se ela própria numa posição diaspórica, vivendo entre Londres e Amesterdão. Na instalação Fata Morgana (My África) (2006) apresentada numa série de écrans, a artista ensaia uma visualização polifónica do império enquanto projecto de uma nação e parte de um imaginário colectivo parcialmente interrompido pela revolução de 1974. A obra foi desenvolvida a partir de entrevistas feitas aos filhos dos “retornados” que nasceram em África antes de 1974, mas que tiveram de partir na sequência do processo de descolonização. Hoje já adultos, que cresceram longe do seu país de origem, cada um fala de uma África da qual não possui praticamente nenhuma vivência, apresentando pontos de vista múltiplos sobre uma África presente nos seus corações, mas nunca realmente vivida. Ao projectarem as sua visões tendo como pano de fundo uma miragem, os seus relatos tentam preencher o hiato histórico provocado pelo processo de (des)colonização com uma miragem de uma África utópica

A afirmação de Ashcroft, Griffiths e Tiffin em The Empire Writes Back (1989) de que uma das características principais que definem a pós-colonialidade é “a preocupação com o lugar e a deslocação. É neste ponto que nasce a singular crise pós-colonial de identidade; a preocupação com o desenvolvimento ou recuperação de uma relação eficaz de identificação entre o eu e o lugar” poderia ser uma descrição justa do processo que vemos em acção na obra da artista. A alienação da visão e lapsos linguísticos na construção do lugar surgem como sintomas de deslocação, que só podem ser apreendidos se ‘formos além das categorias normais da alienação social como senhor/escravo; livre/subjugado; soberano/súbdito, por mais importantes e generalizadas que estas possam ser nos estudos pós-coloniais.” [35] No seu trabalho sobre os retornados de Angola, Ricardo Ovallo-Bahamon (2003) destaca as características que definem os retornados presos entre as antigas colónias e Portugal continental e a sua posição ambígua pois eram, ao mesmo tempo, parte do poder colonial e da vaga de migração africana que começou a chegar ao continente a partir de meados dos anos setenta.[36]

Como Cláudia Cristóvão, António Ole, que vive em Luanda, aborda em Retrato Falado (2007) o encontro colonial, mas de uma perspectiva radicalmente diferente. No tríptico fotográfico, António joga com as políticas de alteridade, sob a forma de uma performance de identidade e uma estratégia de empoderamento, que explora os limites entre ficção e realidade. O auto-retrato triplo, construído com um manequim e adereços como um substituto surrealista do eu, explora o mimetismo das identidades suspeitas, marginais e ameaçadoras. Apresentando-se como canibal, queer, guerreiro, soldado ou militante chinês, a obra evoca identidades em conluio que expressam a ansiedade do indivíduo pós-colonial num clima de medo pós 11 de Setembro. Apesar do título, nunca se ouve a voz, uma vez que os retratos permanecem condenados à ausência da palavra escrita ou falada. Mas se falassem, em que língua o fariam: no espaço lusófono - uma língua imposta pelo processo da colonização - ou recorrendo a línguas Africanas?

O trabalho pode ser compreendido como uma alegoria sobre os relatos de canibalismo Africano que circulavam entre os colonizadores como um argumento para a intervenção ocidental e que eram, outras vezes, utilizados pelos Africanos como um táctica de auto-defesa, como explica Beatrix Heintze no seu estudo de 2006 sobre o canibalismo em Angola [37]: “A difamação e discriminação dos nativos enquanto canibais… facilitaram a coisificação dos africanos e a sua redução a mercadoria, ou seja, a sua comercialização em grande escala no tráfico atlântico de escravos. Mais tarde, a partir do século XIX, a imputação de canibalismo constituiu um argumento importante por parte dos portugueses para, através da repressão colonial, imporem aos africanos a reeducação e o trabalho forçado a que chamaram ‘civilização’. É possível compreender até que ponto este topos continua a assombrar as mentes ocidentais se pensarmos que em Março de 2000 um deputado socialista do parlamento europeu insultou um ministro angolano chamando-lhe ‘canibal’.”

Fluxos transculturais: laranjas e satélites
Os dois últimos projectos aqui comentados são Laranjas de Inês Amado e A Global Positioning System de Melanie Jackson. Ambos reflectem as complexidades dos fluxos globais, ao seguir a trajectória de objectos específicos, fundamentados numa abordagem arqueológica dos objectos da vida quotidiana que percorrem as rotas do imperialismo/capitalismo global. Jyotsna G Singh no seu livro “Companion to the Global Renaissance” [38] sugere igualmente uma arqueologia do conhecimento “local” (seguindo Certeau e Foucault), que se baseia “numa perspectiva micro-histórica do globalismo que reconstitui a troca e movimentos de objectos físicos — obras de arte, especiarias, sedas, pigmentos, metais e tecido — de forma a compreender as trajectórias dos encontros este-oeste.”

Com a obra Laranjas (2008) a artista portuguesa Inês Amado, actualmente a viver em Londres, enche um dos espaços da Fortaleza Pau da Bandeira [39] com laranjas, que são presentes para os visitantes. Dispostas no chão, as laranjas encontram-se rodeadas por uma paisagem sonora de uma viagem no rio Tamisa, criada em parceira com o artista londrino Dave Lawrence, que evoca a longa viagem da fruta pelo mundo. Na instalação, a laranja torna-se num objecto relacional, um fruto que simboliza as viagens da globalização terrestre e a hibridação cultural resultante das trocas de comida que ocorreram nas viagens coloniais. [40]

Como nos lembra Inês, as laranjas chegaram a Portugal vindas dos países árabes (a laranja amarga), a estas seguiram-se a laranjeira chinesa (que produz laranja doce) trazidas pelo navegador Vasco da Gama, e a terceira vaga de laranjas, exportadas já pelos portugueses para o mundo. Habituada a trabalhar com comida (o seu projecto de longo termo Bread Matters é dedicado ao estudo do pão [41]), nesta obra Inês usa a laranja como ponto de partida para uma reflexão sobre o facto de a cultura portuguesa não ser monolítica e derivar de processos complexos de hibridação. Se, por um lado, a forma esférica da laranja evoca o globo, também é verdade que internacionalmente a laranja simboliza Portugal. Vários países que importaram laranjas de Portugal atribuíram a esse fruto nomes variados com origem na palavra Portugal, tais como Portokale (Albânia), Portughal (Curdistão), Portugaletto (Piemonte) e Portugales (Grécia).

O predomínio da sociedade panóptica actual, com meios para controlar as fronteiras e as pessoas de uma forma desigual, faz com que paradoxalmente as mercadorias circulem com uma facilidade muito maior do que as pessoas, que são mantidas nos lugares através de apertados sistemas de controlo fronteiriços. Esta visão da tecnologia é uma das forças motrizes subjacentes ao trabalho de animação A Global Positioning System (2006) da artista americana, Melanie Jackson, actualmente a viver em Londres.

O filme de animação traça um mapa da viagem pelo globo da unidade de gps. É uma viagem inversa que partindo do folheto publicitário que anuncia os benefícios do gps de bolso a um público ocidental urbano percorre as várias etapas da sua produção. A desmontagem do fluxo de trabalho do fabrico do gps consiste em dois movimentos: por um lado, um olhar panorâmico sobre o mundo, indo desde os centros globais de consumo até às fábricas na China e, mais distante ainda, até às minas do Congo ou às árvores da borracha no Sri Lanka; e, por outro lado, um movimento de zoom, partindo da macro-escala da economia global para os gestos mais intimistas da produção manual e dos componentes microscópicos da unidade de gps. Melanie apresenta esta viagem como uma forma de representar a materialidade do processo de produção e de questionar a disjunção que o capitalismo produz entre as coisas e as suas imagens. A partir de imagens de mineiros a trabalhar nas minas do Congo, a artista utiliza o desenho como uma forma de criar ligações com o nível mais abstracto da alta tecnologia de ponta destinada ao consumidor.

Como narra a voz off: este gps contém materiais provenientes dos seguintes lugares: Guiné, China… Índia… Alemanha, Inglaterra, Zâmbia… Brasil, Austrália, Turquia, Nigéria, Espanha, …México, Chile, Filipinas, EUA, Argentina, Portugal, Japão, Coreia… África do Sul… Angola, República Democrática do Congo, Namíbia, Venezuela…

Conclusão
As obras escolhidas para Mundos Locais exploram a relação entre o local e o global, questionando como é que as experiências de viagem e deslocação podem influenciar a forma como percepcionamos a identidade, a cultura e a nação. Para compreender as ideias subjacentes à selecção das obras, discutimos a presença dos temas da viagem e do mundo na cultural popular de Lagos. Isso colocou-nos em contacto com o imaginário ‘dos descobrimentos’, caracterizado por uma ‘nostalgia do império’. Em contraste, as obra de arte em novos media e de performance apresentadas na exposição exploram os temas de migração e viagem a partir de uma perspectiva multicentrada. O olhar de pontos de vista múltiplos, uma característica das estratégias diaspóricas, parece apropriado para captar o momento pós-colonial, uma mudança de perspectiva que se impõe quando lidamos com a questão do império.

Ao reunir pela primeira vez artistas de uma variedade de posições diaspóricas, criaram-se novas justaposições de significados que mapeiam a complexidade das espacialidades e subjectividades por que passam todos os que estão em trânsito. Portugal, Europa, Algarve, África, Lagos, Angola, estes são apenas alguns pontos de ligação com paisagens emocionais que é possível desvendar. Assim, e em resposta à versão oficial e mediatizada da história do lugar, cada obra convida o espectador a ver o local - seja ele pessoal, social, real ou imaginário - como uma arqueologia de objectos quotidianos e práticas culturais.

Com Portugal a adaptar-se às consequências da descolonização das antigas colónias e à sua integração na Europa, torna-se premente questionar a relação entre o imperialismo, a globalização e a condição pós-colonial, e as estratégias diaspóricas apresentadas em Mundos Locais possibilitam esta abordagem reflexiva. Focando as nossas leituras na especificidade locacional de Lagos, e numa simultânea tentativa de mudança perceptual, perguntamos: será que estes modos relacionais de ver nos conduzirão a uma conversa oportuna com um lugar que constrói a sua identidade na proximidade dos fantasmas do antigo império da nação?

Referências

[1] O título de ‘Lagos dos Descobrimentos’, sendo “a marca que o concelho quer afirmar no resto do país” faz parte do Plano Estratégico de Lagos (PEL), do qual outras propostas incluem o Fórum dos Descobrimentos, a Escola dos Descobrimentos e a Universidade dos Oceanos. Leia-se o artigo 5. ‘Orientações no Domínio da Cultura’ sobre a afirmação ‘Lagos, Cidade Capital dos Descobrimentos,’ “cuja adopção como imagem emblemática é contextualizada pela riqueza patrimonial e histórica ligada àquela época. … O mote dos Descobrimentos pode também vir a servir de pretexto ao desenvolvimento de geminações, articulações e representações internacionais em Países Lusófonos, relembrando a ligação, de outrora, de Lagos com as terras descobertas.” Mais informação disponível em: www.cm-lagos.pt/NR/rdonlyres/CB594E70-73C4-4331-B070-87D89D8E45C2/0/OrientacoesdaCultura.pdf [Consultado a 17 de Maio, 2008].
[2] Encontramos um terceiro ícone histórico no centro da cidade de Lagos: a estátua do Rei D. Sebastião, que partiu de Lagos para combater numa cruzada contra o reino de Fez em 1578, criada pelo escultor João Cutileiro, cujo filho Tiago Cutileiro participa em Mundos Locais com a performance audiovisual Allmnesia, apresentada na inauguração de Mundos Locais, a 13 de Junho de 2008.
[3] Veja-se http://en.wikipedia.org/wiki/Henry_the_Navigator / ou http://pt.wikipedia.org/wiki/Infante_D._Henrique [Consultado a 17 de Maio, 2008]. A abundância de referências ao longo do texto a social media e, em particular, à wikipedia representa um esforço deliberado para evitar os manuais de história e partir antes do conhecimento colectivo sobre o passado colonial disponível na internet, potencialmente impreciso, mas nem por isso mais incorrecto do que a versão oficial da história que me ensinaram na escola primária.
[4] Veja-se http://en.wikipedia.org/wiki/Gil_Eanes ou http://pt.wikipedia.org/wiki/Gil_eanes [Consultado a 17 de Maio, 2008].
[5] Existe um edifício do séc. XVII exactamente no local onde no séc. XV ocorreram os primeiros mercados de escravos. O Infante D. Henrique era o principal patrocinador dessas expedições e, por isso, recebia um quinto do valor arrecadado na venda dos escravos. http://en.wikipedia.org/wiki/Lagos%2C_Portugal [Consultado a 17 de Maio, 2008].
[6] O autor divide a globalização em três períodos: o primeiro consiste na etapa de “conceptualização esférica” e o terceiro, na etapa da “globalização electrónica”. Peter Sloterdijk (2005) Palácio de Cristal Para uma Teoria Filosófica da Globalização, Lisboa: Relógio d`Água, p. 19-20
[7] A Reconquista foi um período de 750 anos durante o qual vários reinos cristãos se foram expandindo no território da Península Ibérica, através da conquista dos califados muçulmanos do Al-Andalus http://en.wikipedia.org/wiki/Reconquista [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[8] Veja-se http://en.wikipedia.org/wiki/Christopher_Columbus [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[9] Em 1415, o rei D. João I partiu do porto de Lagos para atacar a cidade de Ceuta. Veja-se http://en.wikipedia.org/wiki/Lagos,_Portugal [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[10] Leal, J., 2006. O império escondido: camponeses, construção da nação e império na antropologia portuguesa. In M. Ribeiro Sanches (ed.) Portugal não é um país pequeno. Contar o “império” na pós-colonialidade. Lisboa: Edições Cotovia, pp. 63-79.
[11] Isto é uma parte do PEL (Plano Estratégico de Lagos), capítulo 6. Orientações De Marketing Territorial: “ A marca “Lagos - Terra dos Descobrimentos”, que deverá enquadrar todas as acções de marketing específico dos diversos sectores económicos da cidade…a qual contribuirá para afirmar uma imagem única e integrada do concelho, com interesse tanto para o turismo como para as outras actividades económicas que se pretende aí implantar.” Ibid. Crucialmente, a visão do PEL enquadra-se num projecto político nacional para as cidades intitulado POLIS XXI. Disponível em: http://sig.snit.pt/pc/documentos/POLISXXI-apresentacao.pdf [Consultado a 17 de Maio, 2008].
[12] Appadurai, A., 1996. Modernity at Large- Cultural Dimensions of Globalization. University of Minnesota Press with the Oxford University Press. Capítulo Disjuncture and Difference in the Global Cultural Economy disponível em: http://www.intcul.tohoku.ac.jp/~holden/MediatedSociety/Readings/2003_04/Appadurai.html [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[13] Para uma descrição sucinta do império português veja-se http://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese_empire [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[14] Para um programa completo do festival de 2008 veja-se o sítio na internet da câmara municipal: http://www.cm-lagos.pt/portal_autarquico/lagos/v_pt-PT/v_festival_descobrimentos.htm [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[15] url da companhia http://vivarte.weblog.com.pt/arquivo/2005/10/index0 ; e outro grupo de teatro que participa, escreve: “ A linha de conduta do Grupo Recriar a História segue os preceitos éticos do bem servir a sociedade ao pôr o público em contacto com o seu legado histórico e os elevados princípios morais do cavaleiro medieval, de certa forma o fundamento da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Aplicamos esta conduta à recriação histórica como forma de divulgação cultural e educação dos cidadãos, quer os que participam nas actividades, quer os que a elas assistem.” http://www.recriarhistoria.org [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[16] Arns, I., 2007, History Will Repeat Itself. Strategies of Re-enactment in Contemporary (Media) Art and Performance, Dortmund-Berlin: Hartware MedienKunstVerein and KW Institute for Contemporary Art, p. 41
[17] ibid.
[18] Inke Arns, op. cit., p. 43
[19 Mercer, K. ed., 2008. Exiles, Diasporas, and Strangers. Londres e Cambridge: Iniva e MIT Press, p.7
[20] Naficy, H., 2001. An Accented Cinema: Exilic and Diasporic Filmmaking, Princeton e Oxfordshire: Princeton University Press, p.14
[21] Ibid., p. 5-6.
[22] Lemke, S., 2008. Diaspora Aesthetics: Exploring the African Diaspora in The Works Of Aaron Douglas, Jacob Lawrence and Jean-Michel Basquiat. In M. Kobena, ed. Exiles, Diasporas & Strangers. Londres e Cambridge: Iniva e MIT Press, 2008, p. 140
[23] ibid., 132-140
[24] Ribeiro Sanches, M., ed., 2005, Deslocalizar a Europa. Antropologia, Arte, Literatura e Historia na Pós-Colonialidade, Lisboa: Edições Cotovia, p. 7-21
[25] ibid., p.8
[26] Ratnam, N., 2004. Art and globalization. In G. Perry and P. Wood, eds.,Themes in Contemporary Art. Yale University Press. Cap. 7
[27] Enwezor, O., 2002. Black Box. In O. Enwezor [et al.], eds. Documenta11_ platform5: exhibition: catalogue. Documenta und Museum Fridericianum Veranstaltungs-GmbH, Kassel
[28] Fernandes Dias, J.A.B., 2006. Pós-Colonialismo nas Artes Visuais, ou Talvez Não. In M. Ribeiro Sanches (ed.) Portugal Não É Um País Pequeno. Contar o “império” na pós-colonialidade. Lisboa: Edições Cotovia, 2006 pp. 317-337.
[29] Lefebvre, H. ,1991, The Production of Space (trad. D. Nicholson-Smith). Oxford: Blackwell
[30] http://en.wikipedia.org/wiki/Transculturation [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[31] Arjun Appadurai, op. cit.
[32]Al-Garb significa “o ocidente”; Al-Andalus, o nome por que era conhecida a região, é uma referência a uma tribo germânica (os Vândalos) que tinha ocupado anteriormente a Península Ibérica. Veja-se http://en.wikipedia.org/wiki/Timeline_of_Portuguese_history_%28Reconquista%29 [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[33] A marca “Allgarve” foi lançada em Março de 2007 pelo Ministro da Economia, Manuel Pinho, com o objectivo de criar uma série de eventos destinados aos turistas na região e de organizar um programa para promover a cultura na região. Veja-se “Allgarve 08 custará 2 milhões de Euros” in http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=22440 [Consultado a 30 de Maio, 2008].
[34] Kwon, M., 2002. One Place After Another: Site-Specific Art and Locational Identity. Cambridge, MA: The MIT Press, p. 164.
[35] Ashcroft, B, Griffiths, G & Tiffin, H., 1998. The Empire Writes Back. Nova Iorque: Routledge.
[36] Ovalle-Bahamón, R.E., 2003. The Wrinkles of Decolonization and Nationness: White Angolans as Retornados in Portugal, in Andrea L. Smith, ed., Europe’s Invisible Migrants, Amsterdam University Press, p. 147-168.
[37] Heintze,B.. 2006, Contras as teorias simplificadoras. O ‘canibalismo’ na antropologia e história de Angola., in Manuela Ribeiro Sanches, ed, Portugal não é um país pequeno. Contar o “império” na pós-colonialidade, Lisboa: Edições Cotovia, pp. 215-228.
[38] Jyotsna G. Singh ed., A Companion to the Global Renaissance – 1550-1660: English Culture and Literature in the Era of Expansion. Michigan State University. No prelo, disponível em: http://www.msu.edu/~jsingh/publications.html [Consultado a 11 de Maio, 2008].
[39] Um forte do séc. XVII construído entre 1679 e 1690 (segundo uma inscrição numa placa de pedra que se encontra sobre a entrada principal) junto ao mar como uma fortaleza para defender a cidade dos ataques navais britânicos, espanhóis e de piratas, adquirido pela Câmara de Lagos em 1983, e convertido num espaço de exposições relacionado com a história dos descobrimentos e a arte moderna local. http://pt.wikipedia.org/wiki/Fortaleza_de_Lagos [Consultado a 4 de Maio, 2008].
[40] Para mais informações sobre a relação entre a época “dos descobrimentos’ e as culturas gastronómicas, veja-se Gupta, A., 2006, Movimentações globais das colheitas desde a ‘era das descobertas’ e transformações das culturas gastronómicas, in Manuela Ribeiro Sanches ed, Portugal não é um país pequeno. Contar o “império” na pós-colonialidade. Lisboa: Edições Cotovia, pp. 193-214.
[41] Para mais informações visite o sítio do projecto na internet: http://www.breadmatters.org/BM/ [Consultado a 4 de Maio, 2008].



projecto desenvolvido no ambito do programa ALLGARVE